domingo, 24 de junho de 2007

A presença das formigas

(...)
A longa noite de insónia
Às voltas na mesma cama

Liberdade


Quem disse que era mentira


Quero-te mais do que à morte

Quero-te mais do que à vida
(...)



Zeca Afonso,
O Coro dos Tribunais
A presença das formigas

Há qualquer coisa de genuíno e indestrutível nele. Esta música toca na força humana por excelência.

Freud, no fim do seu percurso, falava num instinto de morte e num instinto de vida, definidos como os princípios metafísicos e biológicos de todos os organismos.

Mas não poderemos falar de um outro princípio que possa sobrepor-se a todos os outros? Uma vontade verdadeiramente livre?

Diamante de Sangue

O filme "Diamante de Sangue". Um ex-mercenário nascido no Zimbabué e um pescador de uma pequena tribo da Serra Leoa são os protagonistas. Uma jornalista de guerra nova-iorquina acompanha-os.



Com a Guerra Civil nos anos 90 na Serra Leoa em pano de fundo, este filme expõe, numa visão crua e extremamente violenta, os sofrimentos por que passam hoje seres humanos integrados naquilo que podemos chamar um inferno em terras de África. Um inferno real, próximo e bem actual.

Genocídio, trabalho escravo, refugiados, crianças-soldado, tudo sem condescendência.

Este trabalho mostra-nos também a ligação desse mundo atroz e hediondo ao círculo de corrupção, dos negócios, aparentemente legítimos, das empresas diamantíferas e aos sonhos consumistas de luxo e ostentação do primeiro mundo.

Leonardo DiCaprio (faz o papel de ex-mercenário) cada vez mais me convence como um actor seguro e forte emocionalmente. Apresenta, apesar de algumas cedências ao sentimentalismo e ao moralismo fácil, a profundidade da dimensão trágica da existência humana.

Não podemos ser indiferentes a esta realidade em África e esta história mostra alguns pequenos passos que podem fazer alguma diferença. Por exemplo, a denúncia desta situação terrível e a promoção de um consumo crítico, que seja consciente da origem e percurso dos produtos adquiridos.

Realizado por Edward Zwick e com a fotografia de Eduardo Serra; este é um bom filme.

Fica aqui o sítio oficial: blood and diamond

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Aprender no Moodle

O Moodle é um software para produzir e gerir actividades educacionais baseadas na Internet e/ou em redes locais.

Moodle (acrónimo de Modular Object-Oriented Dynamic Learning) é um software livre de apoio à aprendizagem executado num ambiente virtual. Podemos dizer também que o Moodle é um Learning Management System, ou seja, um Sistema de Gestão de Aprendizagem em trabalho colaborativo. Foi criado em 2001 pelo educador e cientista computacional Martin Dougiamas.

É gratuito (licença GNU-GLP).

Pode também ser usado numa sala de aula real. O Moodle pode ser o complemento ideal às aulas presenciais.



Estou a utilizar este software e considero-o mesmo muito bom. Acrescento algumas ligações interessantes:



O meu bairro

Um excelente programa na RTP 2 da autoria de Vicente Jorge Silva, O meu bairro.



É convidada uma figura pública a percorrer o “seu” bairro numa entrevista com Ana Sousa Dias.

Os percursos que acompanhei, há uns dias com Vitorino em Lisboa, na zona da Lapa, e hoje com Cláudio Torres, em Mértola, foram deliciosos em todos os aspectos.


Antiga Igreja da Misericórdia de Mértola, século XVI

São apresentados locais, pessoas, ambientes e histórias que marcam a vida de alguns bairros, escolhidos pela força das suas características que os tornam lugares únicos.

É claro que os olhos, a voz e a personalidade dos convidados são determinantes para o interesse dos episódios, nos casos que referi, a ideia resultou muito bem.

Parece-me que esta é uma das melhores formas de se mostrar o que é gostar da sua "terra", de compreender os vínculos que se constroem a um espaço e a um tempo.

Agora que se fala muito de internacionalização e de globalização, é bom não esquecer como se formam os laços de uma cultura.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

The Mind Gym

Se no ginásio treinamos o corpo para nos sentirmos mais saudáveis, ágeis e flexíveis, porque não fazer o mesmo com a mente?

The Mind Gym é como que um simples e rápido ginásio mental para quem não quer perder muito tempo.



Pode-se exercitar onde e quando se quiser, sem correr o risco de se aborrecer.

Um livro prático, interessante e bastante útil.

Usei-o, algumas vezes, com alunos. E com sucesso.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Macbeth

Macbeth é o retrato de um homem cujo declínio faustiano faz dele vítima de si próprio e vitimizador de todos os que se lhe opõem. A sua verdadeira tragédia é a incapacidade do protagonista voltar atrás, refazer o seu percurso e consciente desta incapacidade, submerge a honra até que o seu fim sangrento o liberta na morte.


Teatro - Festival de Sintra 2007
20 de Junho - 21h30
C. C. Olga Cadaval - Auditório Jorge Sampaio

De William Shakespeare
Pelo INATEL / TEATRO DA TRINDADE / PRODUÇÕES TEATRAIS PRÓSPEROS

Interpretação: Anabela Brígida | António Rama | Bruno Simões | Cristina Carvalhal | Diogo Dória | João Lagarto | Sérgio Praia | Valerie Braddel

Gone

(...)
Feel like a question is forming

and the answers far
I will be what i could be
Once I get out of this town

For the lights of this city
They have lost all feeling
Gonna leave em all behind me
Cause this time

I'm gone
(...)



Vedder / Pearl Jam

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Zizek - Subjectividade por Vir

Slavoj Zizek em A Subjectividade por Vir faz, nestes textos escritos entre 1998 e 2004, uma análise do imaginário ocidental a partir das suas recentes mutações e no sentido de uma reinvenção da subjectividade que tenha em conta as suas relações problemáticas com o real.

Realiza uma original reflexão a partir da filosofia e da psicanálise.

As suas referências ao sujeito-suposto-crer e ao sujeito-suposto-gozar apontam para o conceito de Outro como elemento fulcral da compreensão contemporânea da subjectividade.

Boaventura - A gramática do tempo

Boaventura de Sousa Santos

PARA UM NOVO SENSO COMUM:
A CIÊNCIA, O DIREITO E A POLÍTICA NA TRANSIÇÃO PARADIGMÁTICA
VOLUME 4
A gramática do tempo. Para uma nova cultura política.


Nesta obra, Boaventura de Sousa Santos considera que as sociedades e as culturas contemporâneas são intervalares:

situam-se no trânsito entre o paradigma da modernidade e um paradigma emergente ainda difícil de identificar.

Esta transição tem duas dimensões principais: uma epistemológica e outra societal.

A transição epistemológica ocorre entre o paradigma da ciência moderna (conhecimento-regulação)

e o paradigma emergente do conhecimento prudente para uma vida decente (conhecimento-emancipação).

A transição societal, menos visível, ocorre entre o paradigma dominante
- sociedade patriarcal; produção capitalista, consumismo individualista e mercadorizado; identidades-fortaleza; democracia autoritária; desenvolvimento global, desigual e excludente —

e um novo paradigma, ou conjunto de paradigmas, de que apenas podemos vislumbrar sinais.

O objectivo desta obra é desenvolver epistemologias e teorias sociais que ponham travão à proliferação da razão cínica, que alimentem o inconformismo contra a injustiça e a opressão e, por fim, que permitam reinventar os caminhos da emancipação social.

Para subverter a hegemonia de que ainda usufruem a ciência e o direito modernos, recorre-se frequentemente a uma tradição marginalizada da modernidade, o pensamento utópico.